Vidas passadas, samskaras e regressão

caleidoscopio

Vidas passadas são um tema intrigante e fascinante.

Intrigante porque não é algo que possamos observar ou dissecar com a mente racional. Por mais que tenhamos lido sobre o assunto, ter acesso a estas memórias é como viver um sonho: somente aquele que o vivencia compreende a profundidade de seu significado.

Fascinante porque nos dá a experiência direta da continuidade do tempo, das pessoas (nossos reencontros) e de situações que, sem percebermos, acabam se repetindo em nossa vida presente. E é esta repetição (ou sobreposição) inconsciente de pensamentos e emoções o principal objetivo no estudo de samskaras.

Samskarasaṃskārasaṅskāra ou sanskara (Sânscrito: संस्कार) é um termo com importância central na filosofia hindu e nas religiões orientais, e significa “selo“, “impressão mental” ou “carimbo psíquico“.

Samskaras são memórias residuais, ou o conjunto de impressões e impulsos acumulados em nosso corpo astral, armazenados através de experiências emocionais intensas, desta ou de outras vidas.

Estas impressões formam uma espécie de lentes multicoloridas através das quais percebemos nossa experiência no mundo. Ou seja, a maneira como vivemos nossa vida, tomamos decisões, nos relacionamos, passa pelo filtro de nossas samskaras. Por isso, quando nós percebemos algo (sejam nossos próprios pensamentos, sejam situações e experiências externas), aquilo que é percebido por nossa consciência perde sua pureza original e é processado através de nosso caleidoscópio de samskaras acumuladas (ou seja, as impressões deixadas pelo passado).

Segundo Vivekananda, considerado uma figura chave na introdução da Vedanta e da Yoga no Ocidente, e autor de várias obras sobre misticismo oriental, samskara é como uma “tendência inerente”. “Comparando a mente com um lago, cada onda que vem a superfície não desaparece totalmente; deixa atrás de si um movimento que a pode fazer ressurgir novamente. A este movimento capaz de tornar a manifestar uma nova onda, é que se chama samskara” diz Vivekananda no livro “Karma Yoga”. Vivekananda fala em samskara como “impressão na substância mental” que acaba agindo inconscientemente e não é percebida. E acrescenta que “sou neste momento o resultado das impressões de minha vida passada”.

Se você estiver atento, vai perceber que existe uma similaridade entre o conceito de traumas inconscientes descritos pela psicologia ocidental e Samskaras (embora a sabedoria oriental já trate deste tema pelo menos 5 mil anos antes de Freud!). Podemos dizer que sim, há semelhanças, embora o estudo das samskaras nos leve mais longe.

Imagine a seguinte situação: você sofreu um acidente de carro. É claro que ninguém passa por uma situação desta sem uma forte carga emocional. Como resultado, temos um trauma impresso em nossa mente. Cada vez que passamos pelo local do acidente, ou simplesmente pensamos em dirigir novamente, nosso sistema nervoso reage de maneira involuntária. Trememos. Suamos. Enfraquecemos. Nossa mente é inundada por ideias, motivos ou justificativas pra não fazer isso.

Some a isso muitos episódios traumáticos, muitas situações emocionalmente fortes, das incontáveis experiências que tivemos na terra, e você poderá ter um panorama consciência humana: camadas e mais camadas de impulsos emocionais completamente desconhecidos, mas que moldam nossas vidas!

Samskaras intensas resultam em emoções intensas

Samskaras podem ser entendidos como pequenos blocos de energia e informação. Esta energia é cumulativa em nosso espaço interior, refletindo-se direta e constantemente em nosso sistema nervoso (o mediador entre o corpo e a alma), na forma de tensão, nervosismo, ansiedade… Sintomas considerados comuns em nossa sociedade, que por este motivo costumam passar despercebidos pela pessoa destreinada (como passar o dia com uma mochila pesada, e somente quando a liberamos é que percebemos como ela nos cansava). Mas que com o passar dos anos, acabam por somatizar-se em desordens físicas.

Além disso, a parte mais intrigante do tema: samskaras são movimentos surpreendentemente pequenos em nossa consciência. Tão pequenos, que passam despercebidos por nossa mente ordinária (é algo subliminar, muito sutil). O que vemos – a reação emocional – é apenas uma onda, um resultado da samskara – e não a causa em si (métodos que lidam com questões emocionais, embora eficientes, trabalham com o efeito, não com a causa primária).

Por isso, acessar samskaras diretamente exige alguns requisitos, como sensibilidade energética e silêncio interior – duas características que, definitivamente, precisam de treino e tenacidade para serem adquiridas.

A primeira vez que tive uma experiência direta com elas aconteceu anos atrás, durante um retiro de meditação Vipassana. Segundo a tradição, Vipassana significa “ver as coisas como elas são”, ou seja, perceber estas ondas em nosso campo de energia e consciência diretamente. E com a pratica diária (e persistente), trazer estes mesmos níveis de percepção e consciência para o cotidiano.

Outra maneira altamente eficiente é através de nosso método de Regressão. A diferença aqui é que a presença do terapeuta funciona como uma ponte de acesso do cliente ao seu espaço interior mesmo que ele não tenha a prática necessária pra isso (lembre-se sempre que uma das Leis da Consciência é que ela é transmitida por osmose).

Abrir estas memórias é uma experiência única (e intensa), pois ela traz consigo todo um pacote de pensamentos e emoções relativos a vida anterior acessada. Mais do que apenas imagens ou insights, temos a oportunidade de estudar de forma minuciosa nossos pensamentos e emoções armazenados em níveis muito profundos, e reviver detalhadamente a origem das mesmas. Encontrando as causas, relacionamos espontaneamente a presença destes padrões na vida atual, mudando-a naturalmente.

O detalhe é que, mesmo com uma ajudinha, nem todos conseguem este acesso de imediato: pessoas excessivamente mentais, que racionalizam tudo, nem sempre conseguem manter a conexão quando ela acontece.

Samskaras tem outra característica fundamental: elas estão alojadas muito próximas ao nosso Ser Superior. Portanto, acessa-las e libera-las implica em ter um contato mais íntimo com nossas partes mais elevadas. E quanto mais profundamente vamos em direção ao Ser, mais Ele se aproxima de nós, trazendo consigo novos níveis de claridade e consciência em tudo o que fazemos. Estes são os momentos mais preciosos do processo, quando experimentamos um sentimento íntimo de unidade com o Todo. Nossa percepção inteira é transformada, como se estivéssemos em um espaço diferente. O universo, de repente, faz sentido para a alma.

Este novo sentimento é seu próprio Ser se expressando em você!

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