A identificação com a mente reativa e condicionada

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Eu vou começar dando 3 exemplos pra você entender um mecanismo da nossa mente chamado IDENTIFICAÇÃO, e como isso está impresso em nossa forma de ver e perceber o mundo, e como podemos desconstruir esse processo destrutivo.

Imagine que alguém foi pra algum tipo de manifestação pública, uma caminhada pacífica e cheia de boas intenções. Algo inesperado acontece, e o movimento tranquilo se transforma em correria, confusão ou pancadaria.

Ou ainda: alguém ouviu algo que não gostaria, que pode ser apenas uma brincadeira sem graça ou até uma ofensa, e automaticamente a pessoa se fecha, reage e sente-se desconfortável com isso.

Um último exemplo fácil de ser percebido: estamos navegando em uma rede de informação, vemos números da covid, e estes automaticamente nos causam qualquer nível de mal estar ou desconforto.

Tudo isso são reações mentais inconscientes, que são a causa da IDENTIFICAÇÃO COM AS COISAS DA VIDA, um mecanismo de ADERIR-SE a ideias e reagir automaticamente diante delas. Mas isso acontece de forma tão rápida que a maior parte das pessoas sequer percebe que o está acontecendo.

Vamos começar entendendo a natureza da nossa mente: ela é muito boa em separar, enquadrar, encaixotar, organizar, rotular… e ao mesmo tempo, identificar-se com ideias, crenças e padrões, a tal ponto que a ideia original vinda de fora mecanicamente se torna parte de nossa própria identidade (por isso a palavra “identificar-se”).

Existem duas formas ligeiramente diferentes desta identificação.

Uma delas está completamente vinculado a sistemas mentais.

Por exemplo, quando crescemos, apesar de trazermos toda uma bagagem de nossa história de vidas passadas e evolução espiritual, uma parte de nossa personalidade cede espaço para que o ambiente em que vivemos se desenvolva. E dentro disso, cultivamos sistemas de ideias da família, da sociedade, da religião, da cultura… ou seja, vemos e ouvimos coisas no ambiente de nossa criação e, por repetição, incorporamos estes modos de funcionar em nosso sistema – nos identificamos com eles, com estas crenças e conceitos, e eles incorporam-se parte de nossa identidade.

Quando adultos, nos identificamos com coisas como posição social, gênero, um bairro ou país… e não é novidade que qualquer identificação que envolva separação sempre será sinônimo de conflitos! Por exemplo: se a federação brasileira de futebol vai a um evento contra outro país, todos os brasileiros se unem e festejam juntos. Mas quando o time do bairro X joga contra o time do bairro Y, as mesmas pessoas que comemoram juntas agora encontram um motivo pra brigar, porque quando estou torcendo pelo “meu time”, o “outro” se torna meu inimigo: seja um país, um bairro, um time.

Quando estamos vivendo em uma estrutura mental, vivemos num estado interior de separação, e passamos a vemos os diferentes como nossos inimigos: “eu” contra “os outros”. E isso acontece em indivíduos, instituições ou qualquer lugar onde exista segregação (em nosso país nos últimos anos, temos “direita contra esquerda” – mas devemos lembrar que o que vemos na sociedade é um reflexo da individualidade das pessoas).

Agora, a identificação tem um segundo nível: a forma como nos identificamos com coisas do dia a dia.

Por exemplo, ouço uma palavra agressiva e reajo com agressividade – estou identificado com um punhado de vogais, não passei o que ouvi pelo filtro da minha consciência e da reflexão. Se vejo uma notícia falando do aumento do numero de doentes de covid no Brasil e me sinto mal, estou identificado com coisas que meus olhos perceberam (que podem até ser reais, mas que naquele momento estão na realidade de outras pessoas). Houve até uma situação de alguém que recebeu o resultado positivo do seu exame, e infartou com a noticia tamanha a pressão emocional que estava!

Por isso, identificação vai além de pensamentos, crenças e ideias que armazenei quando criança: ela também está naquilo que vejo e interpreto diariamente – e principalmente, se passo tudo pelos meus filtros de consciência, ou apenas interajo com o mundo com REAÇÃO IMEDIATA (o fundamento da mente-ego condicionada). Pode ser uma reação causada pelo trânsito, por uma notícia, por algo que vi ou ouvi…

Algumas pessoas estão tão identificadas com seu pensamento negativo a respeito do futuro, que desenvolvem quadros de ansiedade crônica.

Outras estão tão perturbadas e identificadas com o passado, com o que fizemos ou deixamos de fazer, que desenvolvem quadros de depressão, solidão…

Estar identificados é estar em um estado de perturbação contínua. E observar a si mesmo é parte do exercício diário pra percebermos essa doença: com o que estou identificado e sequer percebo? Com que tipo de gênero, escolha, inclinação, partido, ideias… o que me faz acreditar que minha forma de pensar é melhor que as outras, a ponto de muitas vezes entrarmos em conflito com pessoas que apenas pensam diferente?

Entenda que estar identificado com algo sempre vai nos trazer problemas!

Mas é importante entender que somente nos identificamos com ideias dos outros, pensamentos dos outros, fatos dos outros, quando estamos identificados com nossa própria mente compulsiva!

Por isso, no fundo, não é o externo que nos manipula ou complica: somos nós mesmos que fazemos isso por desconhecer nosso funcionamento.

Em nossos contatos com seres de consciência mais elevada, de outras esferas ou mundos superiores, eles mencionam que no planeta terra e o mundo dos humanos, “pior do que suas bombas, é sua psique desordenada!” porque nada passa pelo crivo da consciência, e tudo é expresso de forma tortuosa e sem inspiração, como um rabisco sem sentido… e mesmo assim, ainda acreditamos que somos os mais certos, os que tem razão, mesmo que isso gere todo tipo de conflitos e separação…

Temos que entender que cada momento é diferente do outro. E ter este tipo de compreensão nos ajuda a compreender que hoje não é igual a ontem, que nosso estado de consciência sempre se altera, e que por isso não temos motivos pra nos identificar os erros do passado. E quando deixamos de nos identificar com o passou, automaticamente afrouxamos as ansiedades sobre o futuro, porque a mente opera basicamente através do “passado distorcido e condicionado”, gerando ideias tortuosas sobre o futuro (comumente negativo).

A solução pra nos livrar disso passa pelo crivo da CONSCIÊNCIA E DA OBSERVAÇÃO, com um tempero extra que é PERCEBER QUE UMA COISA NUNCA É IGUAL A OUTRA, e que precisamos estar abertos a mudar de pontos de vista, ideias e opiniões constantemente, porque se temos ideias rígidas a respeito de qualquer coisa, se não nos questionamos sobre nossas crenças, nunca abrimos espaço para o novo.

Além disso, em termo de energia e consciência, ideias rígidas são como uma camisa de força: não conseguimos expandir e crescer. E isso é facilmente observável quando fazemos um exercício de expansão de consciência com alguém deste perfil: ela não tem resultados, novas percepções, visões ou insights simplesmente porque está tão engessada dentro de si, que não consegue espaço para o novo – e o pior: talvez uns 80% das pessoas vivem assim!

E as autoridades do mundo sabem muito bem como a mente funciona, sabem que botões apertar, que palavras falar, que gestos fazer, que posturas assumir, pra fazer com que as massas de pessoas tenham determinadas reações porque a mente feita de programas! E estes programas inconscientes são tão previsíveis, e já foram tão estudados, que são usados pra vender absolutamente de tudo – não apenas ideias políticas, mas também novas ideias sobre como devemos nos comportar, o que é uma pessoa de sucesso no mundo, o que significa reconhecimento pra sociedade, como devemos ser, pra onde devemos ir, que nível financeiro devemos ter… sem falar em que produtos devemos consumir! E costumo falar sempre que a mídia digital explora isso muito bem fazendo com que desavisados comprem produtos que muitas vezes não querem ou não precisam esperando se transformar em “pessoas melhores, de mais sucesso ou serem mais reconhecidas”…

Mas tudo isso se deve ao mesmo fato: estar identificado com nosso próprio pensamento compulsivo. Mas e agora? Já percebemos que estamos cheios de conteúdos mentais inúteis, gastando nossa energia, limitando nossa vida e expansão. Como vamos desconstruir isso? Precisamos observar e reconhecer a estes padrões, porque sem observação, não conseguimos separar e reconhecer essas camadas de lixo mental.

Lembre-se ainda que estes padrões estão em vários níveis, alguns facilmente percebidos durante o dia a dia, quando dizemos “eu sou assim, eu me comporto desta maneira…” mas outros padrões são profundamente inconscientes, adormecidos, que irão continuar se repetindo sem você perceber – são os padrões de nossas vidas passadas, as SAMSKARAS de nosso inconsciente profundo. E pra que esse conteúdo seja revelado, é preciso utilizar métodos e ferramentas que nos levem mais fundo, como se fizéssemos um raio-X de nosso sistema, nos levando a processos de desconstrução de cicatrizes tão profundamente enraizadas, que não conseguimos percebemos que “isso” é o responsável por nossos problemas!

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