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Porque devemos enfrentar nossa sombra?

Porque devemos enfrentar nossa sombra?

Vamos hoje falar sobre a escuridão que carregamos.

Em meu trabalho como terapeuta, me deparo constantemente com pessoas que falam em despertar, em conectar-se com o Divino, em experimentar a Luz… mas que desconhecem que o caminho da Iluminação não é necessariamente um caminho de flores (embora elas existam, claro!).

Parte da jornada do despertar consiste em remover tudo aquilo que nos bloqueia e limita. E neste trabalho vamos inevitavelmente nos deparar com situações que preferíamos não ver, com lembranças que gostaríamos de esquecer, com impulsos e comportamentos que insistimos em ocultar: com aquilo que, em conjunto, chamamos de “sombra”.

Mas antes de aprofundar esse conceito, precisamos entender que ser espiritualizado não é sinônimo de quanta informação você tem, quanto incenso você queima, ou que estudos ou escolas você frequenta. Espiritualidade é uma qualidade vertical, de conexão, de coração, quando temos verdadeira consciência de que somos parte de um universo inteligente, respeitando a tudo e a todos como eles são, sejam seres humanos, a natureza, o ar que respiramos, a água que bebemos… é quando isso torna-se uma qualidade e um comportamento natural, não apenas uma ideia romântica na cabeça.

Mas para construir este estado de consciência e verdadeiramente viver esse caminho, antes precisamos limpar aquilo que nos impede de caminhar, remover nossos obstáculos internos, nossos traumas e condicionamentos ocultos. E isso não é algo confortável, e exige paciência e coragem!

Esses obstáculos fazem parte de nossa sombra, daquela parte nossa que consideramos indesejável. E nossos mecanismos de defesa, crenças sociais e temores internos, nos fazem querer pular esta etapa porque acreditamos que aquilo que “não é bom” de ser visto, mostrado ou contado, deve ficar escondido, rejeitado e soterrado. Só que com esse comportamento, tudo que conseguimos é esconder de nós mesmos a fonte de nossos problemas.

Esse pensamento é parte da causa do medo de nossa sombra, da tentativa de evitar nossa escuridão, porque olhar e reconhecer que carregamos lixo mental e emocional nos traz a falsa sensação de que somos indignos, não merecedores e reprováveis diante da opinião dos demais – e da nossa também!

Mas ninguém atinge plenitude e Luz sem olhar pra essa bagunça. É como tentar voar num balão sem cortar as amarras e soltar o lastro.

Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.

Carl Jung

O primeiro passo então é querer realmente encarar tudo isso, olhar tudo que chamamos de “negativo”, de “ruim” que temos guardado. Claro que esse não é um processo prazeroso, mas existe um pequeno segredo que pode nos ajudar nesta tarefa: aprender a olhar pra si mesmo com carinho e compreensão!

Cada um de nossos aspectos negativos é parte de nossa consciência que nós mesmos rotulamos como mal ou perverso. E quando fazemos isso, tudo que conseguimos é nos reprovar e culpar por ser assim. Por isso o primeiro passo: se aceite e se reconheça como você é, sem lutar!

Lembre-se que conhecer e dissolver esta sombra é um processo que vai exigir tempo e paciência, mas se não aprendemos a observar quem somos de maneira detalhada e sem criticas, e aproveitamos cada momento de nosso dia pra isso, não vamos conseguir saber quem somos de verdade.

A medida que vamos polindo e olhando nossas dores, traumas, medos, inseguranças, culpas, vitimismos… todos estes comportamentos que em conjunto compõe o que chamamos de “ego”, nosso balão vai tendo a capacidade de voar cada vez mais alto, nos mantendo mais conectados e despertos.

Vamos dar um exemplo: imagine como se fôssemos um grande castelo, com muitos corredores, salões, torres e porões.

Alguns cômodos podem ser claros e amplos, outros estão e com pouca luz.

Conforme caminhamos e conhecemos este enorme castelo, vamos encontrando pequenas garrafas tampadas espalhadas por todos os lugares. E dentro de cada garrafa, existe uma pequena fagulha de luz.

Algumas tem teias de aranha, outras estão muito sujas, e algumas até nos assustam… Mas pra poder arrumar e iluminar nosso castelo, precisamos enfrentar nossos medos e abrir cada uma delas…

Em nossa metáfora, cada garrafa é uma de nossas emoções negativas, traumas e bloqueios inconscientes – são centenas, talvez milhares delas. Só que dentro da garrafa temos a chispa, partes de nossa Essência Divina que está presa e fragmentada em nossos condicionamentos.

Sem olhar pra estas garrafas – que são nossas sombras; sem olhar detalhadamente para cada uma delas, nossa consciência continua prisioneira dos seus comportamentos inconscientes e limitações.

Digamos que uma garrafa se chama “medo da morte”. O que acontece quando observamos este pensamento-sentimento e procuramos a verdade sobre esta ideia? O fato de observar (sem crítica nem julgamento) vai aos poucos afrouxando a rolha, e fazendo com que aquele pensamento perca seu sentido e intensidade. A observação serena, que é pura luz, tem o poder de limpar nossos corredores e colocar ordem em nosso castelo.

É claro que isso pode ser desconfortável, e algumas destas garrafas podem levar muito tempo pra serem abertas. Mas conforme nos trabalhamos, passamos espontaneamente a enxergar alguns comportamentos como incongruentes diante de nosso novo estado de ser, a ponto de nos perguntarmos: mas o que isso ainda está fazendo aqui? Nestes momentos é que vamos tomando consciência que estávamos apegados a muitos destes comportamentos – e sem saber, cultivando muitas daquelas garrafas como se fossem uma joia rara…

Fazes esta transmutação, converter esta bagunça em Luz não é algo rápido, porque o próprio processo de olhar e tornar-se consciente de nossa sombra é parte da Jornada do Despertar, do nosso aprendizado e crescimento.

Conforme avançamos, um dos primeiros benefício é nos tornar mais responsáveis por quem somos, porque aos poucos vamos percebendo que aquilo que nos cerca em nossa realidade está sendo criado por nós mesmos, por aspectos de nossa natureza que ignorávamos, por pensamentos e sentimentos que muitas vezes nem sabíamos que tínhamos.

Entramos então na etapa de nos questionar: tem algum sentido manter essa mágoa comigo? Tenho motivos pra manter este comportamento? Quando olho para nossa situação social e sinto medo ou insegurança, isso me ajuda de alguma forma? Sem olhar e sem questionar, tudo permanece igual e nossa vida nunca muda…

Olhar pra nossos desconfortos é por si só uma atitude consciente e responsável, que exige coragem, mas é quando passamos a assumir nossa vida por inteiro, aprendendo integralmente conosco mesmos, inclusive com nossas dores e traumas.

Encontrar e abrir estas garrafas é parte do nosso trabalho como terapeutas e conectores de vidas passadas: esta é uma forma muito intensa e profunda de abrir não uma, mas dúzias de nossos medos mais profundos muitas vezes em uma única sessão.

Por fim, lembre-se que toda essa desordem foi causada por você mesmo! Por isso, cada um de nós é o único responsável por colocar a casa em ordem!

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